Impasse moments 2004. Realizei este projecto durante a minha estadia em Luanda – Angola, durante o ano de 2003 enquanto estive a dar um pequeno curso de Fotografia. O que pretendo abordar neste trabalho, é algo que durante a minha estadia em Luanda, me perturbou e que se relacionava com a existência e a sua continuidade.

Era inquietante aquela existência em “suspenso”, aquela espera interminável pelo desconhecido, mas que ao mesmo tempo parecia tão presente.
Algo parecido vi em todos os africanos que contemplam a Europa na costa marroquina, enquanto esperam pela travessia; mantêm no seu semblante o mesmo tipo de esperança.

Todas as fotografias foram realizadas no mesmo espaço (na escola onde eu dava as aulas), onde procurei um enquadramento que embora fosse real, gerasse um certo estado de meditação interior. Deste modo, utilizei em ambos os lados essas grandes janelas em que a luz que vinha do exterior era tão potente que as queimava, impossibilitando a visão de tudo o que estava para além delas, criando-se assim condições para uma reflexão interior.
 A esta primeira imagem do quarto, das janelas, da mesa e do personagem deitado sobre ela, acrescentei na pós-produção outra imagem onde se observam animais.

Estas imagens dos animais pertencem ao único museu que funcionava de forma ininterrupta (Museu que não fechou durante o longo período de guerra), era o Museu de Ciências Naturais, com uma grande colecção de animais dissecados colocados em ambientes construídos que representavam o seu habitat natural, tal como a selva e a savana. Este era o museu que as maiorias das crianças visitavam, sendo este o conhecimento que tinham da selva africana. Assim, nesta encenação todas as fotografias formam parte dum reflexo repetido, um golpe de luz na memória. A reconstrução do disperso que se repete sem fim.
 
 
 

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